Cariocas do Tatuapé

(Fotos do autor, exceto quando indicado)

Família fluminense faz boa cozinha mediterrânea na Zona Leste paulistana

O bairro do Tatuapé é um daqueles territórios típicos do crescimento da capital paulistana: em meio a ruas estreitas e outras não muito mais largas misturam-se famílias que há tempos residem por ali em casas antigas e prédios luxuosos de quem não quer arredar pé do habitat.

O salão do Rios Restaurante apresenta decoração sóbria e tem boa acústica (Marisa José)

O panorama é completado por lojas de grifes, concessionárias de carros luxuosos e restaurantes que até tempos atrás só eram encontrados na distante zona sul. Neste cenário destaca-se o Rios, local bem decorado onde o chef Rodrigo Aguiar comparte o comando com sua mãe e irmão, seus sócios no negócio e igualmente emigrados do Rio de Janeiro.

“Por isso escolhemos esse nome”, comenta o jovem chef, tão atencioso quanto despretensioso no dia-a-dia de atender comensais e elaborar combinações que saltam aos olhos de quem folheia o cardápio conciso e bem montado, inspirado na cozinha mediterrânea.

Rodrigo Aguiar, chefe simpático e talentoso, comanda a cozinha de inspiração mediterrânea.

Segredo dos mais importantes para o sucesso de um bom restaurante é oferecer uma lista resumida de opções que permite trabalhar com um estoque fresco e de qualidade e, consequentemente, conter custos.

Não que o Rios seja exatamente uma opção barata (nossa conta, sem sobremesa, chegou a R$ 136,50 por pessoa), mas a qualidade de tudo que compõe um restaurante agradável está lá e justifica os números que vão aparecer na maquininha do cartão de crédito: decoração sóbria, louças elegantes, serviço correto e uma boa carta de vinhos. Se você é sócio-atleta do Grubster (aplicativo que garante desconto de 30% no valor total da conta e nos permitiu pagar R$ 105 por pessoa), o Rios é imperdível. Vale conferir o cardápio de almoço executivo (couvert e prato principal), oferecido no site a R$ 39,90, algo que não nos contemplava porque fomos conhecer o local em uma tarde de sábado.

Junto com a sutil entrada recebemos uma porção de botarga da casa para degustação.

Sugestão do garçom, aceitamos iniciar os trabalhos com uma porção de lulas a dorê servidas em folhas de mini alface romana acompanhadas de aiolí (alioli para os amantes da cozinha catalã). As quatro unidades elegantemente servidas ofereceram uma largada perfeita.

O sabor da exótica combinação de polvo com panceta correspondeu à bela apresentação.

Como prato principal escolhi um exemplo típico da criatividade de Aguiar: polvo com panceta, combinação incomum em ambiente ainda mais raro: acompanhava um purê de abacate com toques de habanero, um crocante de tapioca que sugeria mini pipocas, redução de tucupí e batata doce roxa na brasa. Um manjar dos deuses, diria Dona Pepa, minha mãe. Pequeno senão que não compromete o resultado: reduzir o tamanho dos toletes servidos deixaria ainda melhor tão bela pintura; afinal, comer bem se faz com todos os sentidos, inclusive a visão.

O porco kobe house igualmente primou pela aparência e textura (Marisa José)

Dona Marisa (de origem árabe, nada galega, que fique bem claro), optou por outra opção suína: porco kobi house, um pernil de porco preto servido com beringela xu xiang, amendoim e pimenta dedo de moça, além de toque de limão siciliano, algo que esqueci de mencionar ao descrever meu prato. Um toque de coentro também faz parte dessa opção, mas foi dispensado em nome do paladar pessoal. O ponto da carne estava correto e ligeiramente seco, como Dona Marisa aprecia, e os acompanhamentos não decepcionaram.

Porção generosa em aroma e proporções, o risoto de cavaquinha também impressionou.

Nossa convidada Dona Eugenia, carioca como é, não resistiu às saudades do mar e escolheu o risoto de cavaquinha (de bom tamanho e ao ponto correto), envolvido em uma bela alquimia de bisque, molho de tomate, pimenta biquinho, emulsão de gengibre e chips de pão de laranja.

O carmenére chileno De Martino, de safra recente, acompanhou muito bem todos os pratos.

Este prato correto e saboroso surpreendentemente se saiu bem ao ser degustado com o carmenére Don Martino, um chileno safra 2016 bem estruturado e generoso, um daqueles vinhos que melhoram ao decorrer da refeição e até merecem o ato de decantação para evoluir mais rapidamente.

Avaliação Motores Clássicos:

Atendimento: 9/10
Cardápio: 9/10
Carta de vinhos: 8,5/10
Comida: 9/10
Local: 8,5/10
Preço: 8/10

Serviço:
Rios Restaurante
Rua Itapura, 1480 - Tatuapé, São Paulo - SP, 03310-000
Horários: terça-feira: 12:00–15:30; quarta a sábado: 12:00–15:30, 19:00–23:30; domingo: 12:00 -16H30
site: riosrestaurante.com
Motores Clássicos sugere conferir horários e fazer reservas.

Wagner Gonzalez

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