Alfredo Guaraná (1952-2017)

(Ilustração Wagner Gonzalez)

Piloto faleceu em consequência de falência múltipla de orgãos
Foi o maior rival de Nelson Piquet na F-Super Vê
Destacou-se em várias categorias

Um dos pilotos mais rápidos e humildes que o automobilismo brasileiro já conheceu nos deixou neste domingo, 26 de março de 2017. Alfredo Guaraná Menezes, ou simplesmente Guaraná, sucumbiu à falência múltipla de órgãos, consequência de um quadro decorrente da combinação de cirrose hepática e hepatite C, situação que já havia justificado uma longa internação em dezembro último. Seus títulos mais importantes foram o Campeonato Brasileiro de Super Vê em 1977/1978 e, sem dúvida, sua participação nas 24 Horas de Le Mans de 1978 foi um dos principais momentos de sua carreira.

Guaraná foi um dos três pilotos brasileiros que brilharam em Le Mans-1978 com este Porsche  (Arquivo Pessoal)

Guaraná começou no kart, acompanhando seu irmão Sérgio Guaraná, e mais tarde formou com Luiz Antônio Siqueira Veiga, o Teleco, a dupla vencedora da equipe Autozoom na classe A da Divisão 3. Foi com os Fuscas pintados na cor abóbora e preparados por Ítalo Adami Jr e Robertinho Simão que ele ganhou notoriedade no cenário nacional. Com a interrupção das atividades dessa equipe seguiu na categoria após “adotado“ pelo preparador Amador Pedro e também fez dupla com Eduardo Celidônio para a equipe Marcas Famosas da então nascente Fórmula Super-Vê.

O Polar que o levou ao título de 1978 está no Museu do Automobilismo Brasileiro, em Passo Fundo (Pedro Martins)

Guaraná se destacou no meio como um excelente professor da Escola de Pilotagem Interlagos, onde ajudou a revelar e desenvolver o potencial de vários pilotos na estrutura onde trabalhava em parceria com Toninho de Souza e Arthur Bragantini. A forma amistosa e serena como falava com seus alunos era uma qualidade tão marcante quanto sua capacidade de acelerar automóvel que lhe entregassem em uma pista de corrida.

Celebrando uma das inúmeras vitórias conquistadas com Gilberto Magalhães na F-Super Vê (Arquivo Pessoal)

O período mais marcante de Alfredo Guaraná teve a companhia do preparador Gilberto Magalhães, que o convidou para integrar a equipe Gledson quando Nelson Piquet foi disputar a F-3 na Europa. Gaúcho de Arvoredo e criado em São Paulo, “Magrão” (um dos apelidos que tinha por causa do seu físico) tinha tudo para repetir nas pistas estrangeiras as mesmas disputas que manteve com Piquet no Brasil, mas jamais teve a oportunidade de tentar uma carreira internacional em bases estruturadas. Guaraná estava para Nelson Piquet assim como Luiz Pereira Bueno estava para Emerson Fittipaldi e Mário Sérgio de Carvalho para Ayrton Senna: os três eram plenamente capazes de fazer história na F-1. O destino, porém, conspirou contra isso.

Guaraná conseguiu uma pole position na Stock Car (Foto Diario Motorsport)

6 Comentários

  1. Na volta de Le Mans tentei leva-lo para F3 europeia, pois já tínhamos equipe com base na França e metade do patrocínio. Ele não quis ir por questões familiares!!! Uma pena um enorme talento,chegaria muito longe lá na Europa!!! VAI COM DEUS MEU AMIGO😞

    • A respeito de sua potencial ida para a Europa um vez conversei com o Guaraná. Ele me disse que a Gledson lhe propôs 10.000 dólares de salário mensal, contrato de dois anos. Diante disso a esposa fincou pé, com a praticidade das mulheres era melhor opção ficar aqui do que arriscar na Europa.

  2. Grande piloto e grande professor. Tive o privilégio de pilotar ao seu lado, por 3 vezes. Com um Stock Car fomos terceiros colocados nas Mil Milhas de 1981, em Interlagos; no ano seguinte vencemos os Mil Quilômetros de Brasília e quebramos quando estávamos em primeiro nas Mil Milhas de 1983. Vai deixar uma grande saudade!!!

  3. Nelson Piquet, um cara que não costuma elogiar seus adversários disse : “Eu corri de Fórmula 1, corri de tudo o que podia correr na vida. Ganhei três campeonatos do mundo e eu nunca vi na minha carreira inteira um piloto tão rápido quanto o Guaraná”.
    Para quem enfrentou Ayrton Senna, Alain Prost e Nigel Mansell, ser reconhecido por um cara como o Piquet é um privilégio. Coisa pra poucos.

  4. Palito esse era como o grande chefe de equipe Giba o tratava carinhosamente !! Pra mim o mais bota que tive o prazer de ver pilotando !!! Simplesmente perfeito como piloto !!
    Deus o tenha !!

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