40 anos sem Môco e Marivaldo

(IIustração Wagner Gonzalez)

Pilotos faleceram em acidente aéreo na Serra da Cantareira
Carlos Pace estava em sua melhor fase de sua carreira
Marivaldo era apaixonado pelo esporte

Marivaldo pilotou desde Gordinis até protótipos como o Alfa Romeo TT 33/3 (Arquivo pessoal)

Quarenta anos atrás o automobilismo perdeu dois de seus grandes nomes: José Carlos Pace, o Môco, e Marivaldo Fernandes, o Fiapo. Integrantes de uma geração de ouro do esporte, ambos eram pilotos que se destacavam em qualquer categoria nas quais participassem e sempre atendiam a fãs e entusiastas com doses de atenção cada vez mais raras no cenário atual. Os dois faleceram quando o avião em que viajavam de São Paulo até a fazenda de Marivaldo chocou-se contra a Serra da Cantareira, em Mairiporã, em meio a um temporal.

Pace, mais jovem, praticou o esporte profissionalmente e estava no auge de sua carreira: era piloto da Brabham e tinha consolidado seu nome no cenário mundial como um piloto arrojado e hábil. Seu currículo tem participações em Le Mans (onde foi segundo colocado com um Ferrari 312 P), Can-Am, F-2, protótipos 2 e 3 litros e várias outras categorias. Até hoje é lembrado por muitos como um verdadeiro campeão mundial sem título; o autódromo de Interlagos foi batizado com seu nome.

Marivaldo, empresário de sucesso na Baixada Santista, pilotou automóveis de diversas categorias e sempre ocupava posições de destaque tanto nas provas de classificação quanto no resultado das corridas. Sua paixão pelo automobilismo foi o destino de boa parte de sua fortuna e a razão de ter conquistado tantos amigos e admiradores. Quem frequentava o Guarujá nos anos 1970 certamente lembra que os ônibus urbanos da cidade eram batizados com os nomes dos principais pilotos brasileiros. Uma homenagem do dono da empresa, Marivaldo Fernandes, a seus amigos e colegas de esporte.

 

Texto atualizado às 21:55.

3 Comentários

  1. Foi muito triste, mesmo. Naquele dia perdemos dois pilotos, dois amigos. O Marivaldo, muito simples, atencioso com todos. Me lembro que no final dos anos 60 inicio dos 70 eu passava férias no Guarujá, era comum encontrar o Fiapo, nas ruas, nos Clubes, ou na praia. Cumprimentava a todos. Seu carro particular era uma Mercedes 280 SL “Pagodinha” e tinha a placa 45, numero que imortalizou pelos autódromos em que correu. Naquele tempo a placa dos carros pertenciam ao proprietário e não aos carros. Trocava-se o carro, mas a placa era sempre a mesma. Nas pistas variava carros menos potentes, com supermáquinas. O importante era estar nas corridas. Correu de Porsche 356, as vezes em parceria com Chico Landi.Teve uma passagem muito boa pela Equipe Jolly, do Gancia e do Zambello, pilotando os Alfa Romeo importados, inclusive o P-33. Uma perda muito grande para o nosso automobilismo. Já o Moco, que já era ídolo nas corridas caseiras com destaque na Equipe Dacon, com o Karmann Ghia Porsche, partiu para a Europa, na raça, com a cara e a coragem, passou por dificuldades, para se encaixar nas equipes, mas foi ganhando espaço e corridas, trabalhou muito, passou por equipes pequenas, até chegar a Brabham. Ao mesmo tempo teve uma participação muito boa pela Ferrari na categoria esporte, com bons resultados. Mas o foco era a F-1 que estava se consolidando como a categoria máxima do automobilismo mundial. E o Moco foi se acertando com a Brabham, o carro também foi se desenvolvendo e em 1975, Pace proporcionou uma das passagens mais emocionantes do Autódromo de Interlagos, ao vencer o GP Brasil. Uma festa inesquecível, só quem estava lá, sabe o que eu estou dizendo. Veio o ano de 76, se não foi uma maravilha, pelo menos mostrou que o carro estava se acertando e o piloto também. Tudo parecia pronto para 1977, a Brabhan afinou os motores Alfa Romeo, o carro estava praticamente perfeito. Mas veio a tragédia em Março e nos levou o grande Moco. No velório dele, no Automóvel Clube, na Av. 9 de Julho x Av Brasil, os comentários eram unânimes, aquele ano seria dele. Realmente, José Carlos Pace, é o nosso Campeão Mundial Sem Título.

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