AH!… ESSAS PERUAS MARAVILHOSAS

(Foto Arquivos Pinterest)

Callaway lança kit shooting brake para o Corvette Stingray
Instalação não exige mudanças na estrutura
Equipamento custa US$ 15 mil

Ferrari 250 GTO Breadvan, criado por Piero Frogo em 1962, gerou o nicho das wagon poderosas (Foto Planet-GT.com)

A onda de peruas de alta performance continua ganhando corpo. Ainda que seja um projeto anunciado lá no primeiro trimestre de 2013, não há como negar que o kit Aero Wagon da Callaway não perdeu vitalidade desde então. Pelo contrário, o mais recente lançamento da marca norte-americana traz uma versão que faz jus à dinastia iniciada com a Ferrari Breadvan no início dos anos 1960. O preço do kit construído em fibra de carbono é de US$ 15 mil; esse valor tem acréscimo de 10% se for pintado na cor do carro . Sua instalação pode ser feita pelo fabricante ou em revendedores Chevrolet e não exige adaptações estruturais.

Os primeiros estudos de estilo da Callaway para o kit AeroWagon foram divulgados em março de 2013 (Foto Callaway)

A Callaway não informa a velocidade máxima de um Corvette equipado com o kit Aero Wagon; todavia, se em especificação original o Stingray (motor V8 6.2, 455 CV de potencia e 64, 3 kgf.m de torque) supera ligeiramente os 280 km/h, com o pacote SC 757 (757 CV e 107,4 kgf.m), disponível para instalar nesta apressada perua, o mesmo carro chega a 210 k/h em 10”5 e atinge velocidade máxima estimada superior a 300 km/h. Não se preocupe com caronas: a mudança de estilo não agregou espaço para instalar um banco traseiro: apenas a capacidade de carga foi ligeiramente aumentada. Em outras palavras: não faltará pão quente na mesa dos seus felizes proprietários de uma AeroWagon. O o kit ou o carro completo podem ser encomendados diretamente neste link.

O Corvette C7 em sua versão “carroceria original anabolizada” com alguns acessórios Callaway (Foto Callaway)

DE UM BOXER PARA OS BIG BLOCKS

A temporada de F-Vê do SCCA (Sports Car Club of America) foi vencida por um certo Reeves Callaway, exemplo típico daquele tipo que acelera demais e tem dinheiro de menos. Sem verba para continuar sua carreira de piloto, Reeves virou instrutor de pilotagem – profissão hoje em dia conhecida como coaching-, e nas horas vagas desenvolveu um turbocompressor para instalar em sua BMW 320i. Uma reportagem em uma revista especializada provocou tamanho sucesso que em pouco tempo a garagem de sua casa em Old Lyme (Connecticut) virou uma pequena indústria onde trabalhavam seus amigos mais próximos. Atualmente a empresa que leva o nome do seu fundador funciona em duas fábricas nos Estados Unidos (Temecula, na California, e na mesma Old Lime) e outra na Alemanha (Leingarten, Baden-Württemberg). Mais, Callway é o preparador oficial para o Corvette nas categorias FIA GT3 e ADAC GT Masters.

O AeroWagon Package reflete a atenção ao detalhe e funcionalidade que caracteriza a marca: a instalação pode ser montada e desmontada sem interferir na estrutura do carro, que sequer perde sua condição de conversível. A expressão shooting brake deriva das carruagens usadas por nobres e fidalgos para leva-los aos locais de caça com conforto e espaço para carregar seus equipamentos e seus cães. Já nas primeiras décadas dos anos 1900 os fabricantes de automóveis adaptaram o termo para posicionar suas peruas de duas portas como modelos sofisticados.

CONCEITO (TAMBÉM) NASCEU DE UMA VINGANÇA DO DRAKE

O detalhe da vigia e formas traseiras da carroceria justificaram o apelida de van do padeiro (Foto Planet-car.com)

A Ferrari Breadvan é o grande marco deste estilo de carroceria e mistura um pouco de tudo isso a uma boa dose do folclore que marcou a historia de Enzo Ferrari; o episódio tem ingredientes conhecidos no episódio Lamborghini, grife que surgiu quando o Drake se recusou a vender seus carros a Ferruccio Lamborghini, um fabricante de tratores que criticou o acabamento dos carros de Maranello. Em 1962 o Conde Giovanni Volpi decidiu formar a equipe ATS para disputar o Campeonato Mundial de F-1 de 1963 e optou por aliciar funcionários da Ferrari, entre eles o engenheiro Carlo Chiti. O ingegnere (Ferrari sempre refutou ser chamado de commendattore) não ficou muito contente com isso e revidou com a recusa de vender qualquer modelo 250 – um dos maiores vencedores saídos de Maranello em todos os tempos – para Volpi inscrever pela equipe Serenissima nas corridas de resistência, algo que não adiantou muito.

Com bons contatos e muito dinheiro, Volpi conseguiu comprar o chassi 2819 GT SWB (Sigla em inglês que indica distância entre-eixos curta) construído em 1961 e usado inicialmente pelos belgas Olivier Gendebien e Jules Bianchi (tio de Jules, falecido no GP do Japão de 2015). Ao passar pelas mãos do piloto e carrozieri Piero Drogo o automóvel ganhou um teto estendido até o final da carroceria e ficou com perfil mais baixo que a GTO original. Bastou chegar ao circuito de Le Mans – primeira competição dessa configuração, em 1962 – para ganhar apelidos dos jornalistas franceses (la camionnette, ou caminhãzinho) e ingleses (breadvan, ou carro de padeiro). O fleumático humor britânico levou a melhor e consumou o nome que entrou para a história.

O Maserati TIpo 154 foi o último modelo de competição da marca para a categoria GT nos anos 1960 (Foto Pinterest)

O carro não completou a corrida, mas mostrou-se mais eficiente que o projeto original e obteve bons resultados nas pistas até 1965. A proposta deu tão certo que a Maserati tentou enveredar pelo mesmo caminho com o modelo Tipo 151/4, ou simplesmente Tipo 154, rebatizada pelos italianos como “furgão de corrida”. O norte-americano Lloyd Casner morreu ao volante desse carro – o último GT da marca – durante a disputa das 24 Horas de Le Mans de 1965 após bater contra duas árvores. De qualquer maneira, a solução de traseira alongada ditou a regra das carrocerias para o circuito da Sarthe por cerca de meio século.

4 Comentários

  1. Eu não entendo bem o que leva alguém a comprar um Corvette Stingray, tipico e tradicionalmente um esportivo conversível e depois gastar mais 15 mil Trumps, para transformá-lo em um coupé. Sim, porque nesse caso nem “pinta” de uma perua, ou SW, ou Shooting Brake, o carro ficou.
    A história conta que alguns carros ganharam em aerodinâmica nas pistas de corridas, pelo alongamento do teto e traseira, como no caso da Breadvan (detestada pelos puristas, que não gostaram nem um pouco da “brincadeirinha” do Conde Volpi, “con la Regina 250GTO”). Outra esquisitice que deu certo nas pistas, a SW Volvo 850, (que já nasceu com jeitão de carro funerário), mas competiu no Inglês de Superturismo nos anos 90, com certo destaque.
    Aqui no Brasil tivemos a Fiat Marea Weekend Turbo, fazendo algumas provas de Endurance.
    E puxando pela memória lembro das Peruas DKW (Vemaguetes), participando de corridas por aqui, nos anos 60, gerando discussões se não seriam melhores (aerodinamicamente) que os Sedans, que tanto sucesso faziam.

    • Sig. Nardini,

      Siete sempre benvenutto a Motores Clássicos.

      Muito bem lembrada a participaçåo da Marea Weekend em corridas nacionais; quanto à Vemaguete seria muito interessante garimpar uma imagem dessa incursão.

      Quanto a gastar US$ 15 mil para trocar o capô de um Corvette Stingray… aí é questão de gosto pessoal. E gosto, sabemos bem, não se discute. No máximo de ignora…

      Sobre o perfil aerodinâmico das peruas, lembro do saudoso Manduca. Ele preparou um Passat DIvisão 3 para o João Franco que tinha um teto prolongado bem ao estilo Breadvan.

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