LUIZ PEREIRA BUENO, ANO LXXX

(Foto Wagner Gonzalez)

Luizinho completaria hoje 80 anos de idade

Foi piloto, preparador, chefe de equipe e muito boa gente

Criação da Equipe Z, que gerou a equipe Hollywood, foi seu maior legado

(Foto Acervo Reinaldo Hernandes/Amilton Rochel)

Oito décadas atrás, num mesmo 16 de janeiro, nasceu um dos maiores pilotos brasileiros de todos os tempos: Luiz Pereira Bueno. Natural de São Paulo, Luizinho soube aproveitar muito bem as chances que o contato com grandes nomes do automobilismo brasileiro lhe proporcionou, em particular a sabedoria do visionário Cláudio Daniel Rodrigues, seu cunhado e responsável pela introdução do kart no Brasil.

 

Sempre gentil com pessoas e com máquinas, Luizinho tinha o dom da pilotagem suave e rápida, marca de grandes campeões. Igualmente, confirmava que nenhum ser humano é perfeito: raramente reclamava de algo que o desagradasse, mas os que lhe foram próximos nas pistas não esquecem a sua expressão de “tromba” quando alguém ou algo o contrariava. Entre os que mais acompanharam sua carreira o nome do também saudoso Luis Antônio Greco é o mais significativo.

 

Vencedor de inúmeras provas, Pereira Bueno faz uma parte de um trio que poderia ter conquistado os mesmos títulos que os brasileiros Campeões Mundiais de F-1: Luizinho foi uma referência contemporânea para Emerson assim como Alfredo Guaraná para Nelson Piquet e Mário Sergio de Carvalho para Ayrton Senna. Dos três, somente Bueno tentou a carreira internacional, mas jamais teve o apoio necessário para cuidar da estrutura comercial que garantisse seu sucesso no Exterior.

 

O Maverick-Berta de Divisão 3 está exposto no Museu de Passo Fundo (Foto de Pedro Martins)

 

Mais do que pilotar, Luizinho igualmente se destacou como chefe de equipe: sua proposta de lançar a Equipe Z em parceria com o amigo Anísio Campos fez surgir um dos mais bem sucedidos trabalhos de marketing no automobilismo brasileiro: a equipe Hollywood. Ali, além de gerenciar uma organização que venceu em todas as categorias onde participou também melhorou modelos consagrados – como o Porsche 908/2 com que deu canseira em Reinhold Joest nos 500 KM de Interlagos de 1972 -, desenvolveu o Maverick Divisão 3 e o protótipo Berta Hollywood, ambos com motor Ford V8 e em parceria com Oreste Berta, o Mago de Alta Gracia, Argentina. Impossível citar todas as suas vitórias, mesmo as que obteve a bordo do Bino MKII, modelo que tem muito da Lotus 47 trazida ao Brasil pelo Team Palma, de Portugal, quando de sua participação nas Mil Milhas de 1967.

 

(Foto Wagner Gonzalez)

A história de Luiz Pereira Bueno está registrada com ricos detalhes em dois trabalhos: o livro Paixão e Técnica ao Volante – biografia escrita pelo próprio piloto em parceria com Paulo Scali -, obra bancada pela Mahle do Brasil (veja capa ao lado) e no site Bandeira Quadriculada, que tem um bom trabalho de pesquisa sobre inúmeros pilotos brasileiros.

 

Luiz Pereira Bueno viveu seus últimos anos na estância paulista de Atibaia, a cerca de 60 km de São Paulo. Faleceu no dia 8 de fevereiro de 2011 em Atibaia (SP), vítima de câncer pulmonar.

 

WG

14 Comentários

  1. Tive alegria em conviver com ele no dia dia da Equipe Transparana. Chegou aqui com baita bagagem mas com humildade conquistou a todos nos. Competi com ele no tempo da Div. 3,mas a barata dele não ajudava. Era um Opala Berta mas nos tínhamos por aqui coisa melhor. Saudade.

    • Dado Andrade,

      Que prazer receber mais um campeão das pistas e da vida aqui no Motores Clássicos. Você tem muito a contribuir com este espaço, em particular na editoria Taças & Talheres!

  2. bela resenha Beegola….Parabéns…. Saudades e mais saudades…Mas sei que ele está em um ótimo lugar e andando no bloco da frente….Fangio, Senna, Clark, Hill,Bino, Pace, que se cuidem…rsrsrsrsr.

  3. O LPB, o grande Peroba para os íntimos, que circulavam pelo nosso templo e outros autódromos onde brilhou, com suas vitórias ou participações marcantes, com os diversos carros que pilotou. Pilotava qualquer coisa. Correu com “calhambeques” da Mecânica Continental, passou pelos Gordinis, Berlinettas, Alpines, Bino Mark I e II, F-Ford, F-3, F-2, F-1, Corcel, Maverick, Porsche e devo ter esquecido coisa, nessa lista. Certa vez eu estava em Interlagos, em um daqueles bons tempos que se promoviam festivais de velocidade no Domingo e corriam varias categorias, diversas marcas e tipos de carros. Naquele dia correriam 5 categorias diferentes. Luizinho estava inscrito nas 5. Humilhou! Ganhou as 5 baterias de corridas. Duas ou três das provas, com carros da Hollywood. Nunca mais esqueci. Fazendo falta, o velho Luiz. Tipo de piloto que não existe mais. Parabéns e obrigado Beegola, por nos fazer lembrar de um grande ídolo da nossa adolescência/aborrecência.

    • Pois Sig, Nardini, o LPB era mágico. Nessa lista faltaram BMW e Opala, inclusive o Divisão 3 que ele usou naquele domingo das cinco vitórias em Interlagos. Lembro que em uma das corridas ele desceu do carro com o braço travado por que, ao que me lembre, tinha que trocar as marchas no tempo e o cambio do Opalão era coisa prá macho.

  4. Eu ainda tive o privilégio de conviver com esse GRANDE ÍDOLO DO AUTOMOBILISMO em 1982 ele montou uma equipe de STOCK CAR.com patrocinio da BASF.e em 1984 ele correu NO CAMPEONATO BRASILEIRO DE MARCAS E PILOTOS NA EQUIPE GRECO.DE FORD ESCORT.ÉRA MUITO BOA GENTE.

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