90 anos de F-1 em poucos dias

(Foto Ford)

Ford celebra 50 anos do motor Cosworth DFV

Frank e Patrick celebram quatro décadas

Kubica de volta à F-1

 

Uma visão raio-X do motor mais vitorioso na história da F-1 (Cosworth)

Se a semana automobilística está agitada, os últimos dias celebraram algumas causas que muito contribuíram para tanto: em menos de uma semana comemoram-se os 50 anos do motor Ford Cosworth, os 40 anos de história da equipe Williams e a volta de Robert Kubica ao cockpit de um F-1. Prato cheio para quem é autoentusiasta de carteirinha, em especial no que diz respeito ao que acontece nas pistas do mundo; neste artigo Motores Clássicos foca no motor mais vitorioso da história da F-1: o Ford Cosworth DFV.

Bill Brown (E), Keith Duckworth, Mike Costin e Ben Rood: a equipe que desenvolveu o DFV (Ford)

Em números absolutos o motor Ferrari é recordista absoluto de vitórias na F-1, mas não se pode ignorar que esse índice foi registrado com diversas especificações de bloco, sistemas de alimentação e número de válvulas por cilindro. O mais famoso V-8 do automobilismo mundial estreou com vitória no GP da Holanda de 1967, história que pode ser apreciada no filme “9 days in Summer”, dirigido por Philip Bond e que mostra cenas épicas centradas nessa corrida. Junto com o câmbio Hewland FG400, o DFV abriu caminho para uma das épocas mais férteis no que diz respeito ao surgimento de diferentes equipes na categoria. A combinação desses dois equipamentos garantiu uma ocupação variada em termos de cores e formas nos grids a partir desse triunfo de Jim Clark até o final dos anos 1990.

O Lotus 49 estreou com vitória no GP da Holanda de 1967 (Ford)

Ideia de Colin Chapman, investimento da Ford e projeto de Mick COStin e Keith DucksWORTH (os sobrenomes que formaram a marca Cosworth), o DFV foi parte de um programa de dois estágios iniciado com o motor FVA, um quatro cilindros em linha bastante usado na F-2 e em protótipos 2 litros. Inicialmente rejeitada pela própria Ford e pela Aston Martin, a proposta só se concretizou com a ajuda do jornalista inglês Walter Hayes (RP da Ford Grã-Bretanha) e do engenheiro estadunidense Harley Copp, que antes de ser transferido para a Inglaterra foi responsável pelo programa que marcou a entrada da Ford no mundo da Nascar. O programa foi anunciado no final de 1965 e concretizado cerca de ano e meio mais tarde.

Tal qual o Ford P-69, o Ligier JS-3 foi outro carro esporte equipado com o motor DFV (Sportscardigest)

A partir do FVA (FV para Four Valves e A para designar o bloco) surgiu o DFV (Double Four Valves), onde o “D” indicava duplicação de quatro para oito cilindros e o FV o número de válvulas por cilindro. Idealizado quando a F-1 trocou seus motores 1,5 L para 3,0 L, em 1966, o DFV teve derivações que foram usadas na F-Indy, Endurance, Protótipos, F-Tasman e F-3000. Histórias não confirmadas oficialmente dão conta que esta última foi criada para dar utilização a um estoque de motores propriedade de um certo Bernie Ecclestone…

Ao lado do Lotus 49, o March 701 foi outro F-1 bastante comum nos grids da categoria (F1Fanatic)

A sopa de letrinhas a partir de DF incluiu variantes como Y (versão revisada apresentada no final dos anos 1970 e usada até 1986), X (1976, usada na F-Indy em tempos que remontam ao campeonato USAC), L (1981, voltada para utilização em provas de longa duração, daí o L de Long Distance), S (1986, F-Indy, definia a versão de curso curto, short), Z (1986, com cilindrada aumentada 3.5 L) e R (1987, usada pela equipe Benetton). Preparadores como Brian Hart, Hans Mader e John Judd desenvolveram receitas próprias para clientes de várias categorias e alguns deles basearam-se nessa máquina para construir suas versões autorais, como o próprio Judd e o argenitno Oreste Berta. Algumas versões aumentaram em 30% a capacidade cúbica do bloco para 3.9 L, mas o resultado foi desastroso. Uma variante de 2,5 L foi desenvolvida para as edições de 1968 e 1969 da Copa Tasmaniana, na Austrália e Nova Zelândia.

O Fittipaldi FD01, projeto de Ricardo Divila, usava o conjunto DFV-Hewland (Dana)

O motor DFV foi projetado para ser parte integrante do chassi 49, uma das obras primas de Colin Chapman tanto pelo desempenho quanto pela lendária fragilidade de suas criações. O Lotus 49-Ford Cosworth estreou apenas no GP da Holanda de 1967, terceira etapa da temporada e disputado em Zandvoort no dia 4 de junho, e apesar da vitória de Jim Clark, o abandono de Graham Hill por quebra de suspensão evidenciou que a confiabilidade do mais simples e resistente Brabham BT-19-Repco de Jack Babham e Denny Hulme seriam mais importantes para garantir o título de pilotos ao neozelandês e o de Construtores à marca dos australianos Jack Brabham e Ron Tauranac. O potencial do motor, porém, ficou claro com as demais vitórias do escocês em Silverstone, Watkins Glen e México.

A versão DFX equipou os carros da F-Indy , como este Wildcat de 1976 (USAC)

Isso fez a Ford rever o acordo de exclusividade que existia com Chapman e o motor foi oferecido no mercado da F-1 ao preço de £ 7.500, ou cerca de £ 125.000 a preços atuais, equivalente a R$ 430.000,00. Uma das primeiras equipes a usar esse motor foi a Matra, dirigida por Ken Tyrrell, nos chassis MS7, pilotado por Jean-Pierre Beltoise, e MS-9, entregue a Jackie Stewart. Em ritmo acelerado o mercado dos garagistas que exploravam a opção “kit car”- chassis construídos em torno do motor Cosworth e do câmbio Hewland -, cresceu e em pouco tempo o grid tinha também carros Brabham, Copersucar-Fittipaldi, Hesketh, Ligier, Lola, March, McLaren, Parnelli, Penske, Tyrrell e Wolf (para citar apenas alguns) usando esse trem de força. A última vitória do motor Ford Cosworth do projeto DFV foi em 1983, quando Michele Alboreto venceu o GP dos Estados Unidos-Leste, em Detroit, pilotando um Tyrrell.

A última vitória: Michele Alboreto (Tyrrell 011), GP dos EUA, em Detroit, 1983 (Autoweek)

Graham Hill (1968), Jackie Stewart (1969/71/73), Jochen Rindt (1970), Emerson Fittipaldi (1972/4), James Hunt (1976), Mario Andretti (1978), Alan Jones (1980), Nelson Piquet (1981) e Keke Rosberg 1982) foram campeões mundiais com carros equipados com esse motor. Lotus (1968/70/72/73/78), Matra (1969), Tyrrell (1971), McLaren (1974) e Williams (1980/81) conquistaram o título de construtores com esse mesmo equipamento.

Nelson Piquet conquistou seu primeiro título com este Babham BT49 equipado com motor Ford Cosworth (Ford)

O Ford Cosworth DFV sempre foi montado em torno de um bloco V8 a 90° e em sua primeira versão tinha 2.993 cm3 com diâmetro e curso de 85.67 x 64.897 mm, respectivamente. Na versão inicial produzia mais de 400 hp a 9.000 rpm, 37,3 mkg-f ou 370 N·m de torque a 7,000 rpm. Em1983 a variante DFY de curso curto tinha diâmetro e curso de 90 x 59 mm, respectivamente, garantindo a mesma cilindrada e produzindo 530 hp a 11.000 rpm e torque de  38,7 mkg-f ou 380 N·m a 8.500 rpm.

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