Monteiro, um Casal educado…

Raro no mercado brasileiro, opção é tesouro a ser encontrado.

Três castas compõem a assemblage do tinto.

Vai bem com queijos de sabor médio.

Quinta do Casal Monteiro, tinto, 2013, um bom acompanhamento para um risotto à milanesa com shitake (Wagner Gonzalez)

Domingo pós carnaval enveredei por fazer uma massa de crepe com manjericão e, definido o recheio, chegou a hora de escolher um vinho que acompanhasse bem o recheio de patinho (moído apenas uma vez) refogado com azeitonas, tomate cereja e pimenta verde em salmoura e um rizotto à milanesa com shitake. A avant première de qualquer receita pede alguma reserva para evitar embaraços ao chef e a quem se aventura na degustação; posto isso, eu e Senhora Marisa optamos por uma companhia que amenizasse nossa solidão e lembramos do Casal Monteiro. Na verdade de um Quinta do Casal Monteiro 2013, tinto, assemblage de Touriga Nacional (40%),  Merlot (30%) e Syrah (30%) que repousava na nossa pequena adega. A garrafa, presenteada, veio do Tejo e trouxe à nossa mesa boas doses de satisfação e alegria.

O vinho que abrimos é um produto da linha média da Quinta do Casal Monteiro, marcada por assemblages.  As castas Arinto e Fernão Pires formam a versão Branco enquanto a Touriga Nacional, Syrah e Tinta Roriz compõem a opção Rosé. Nosso Tinto, engarrafado em vidro verde-castanho e protegido por rolha de cortiça de qualidade, é o que traz maior graduação alcóolica (13,5%). Senhora Marisa achou um tanto forte para seu paladar; eu nem tanto.

A primeira impressão desse vinho engarrafado na origem e com denominação de origem controlada (Tejo) é equilibrada, aveludada e remete a ameixas daquelas grandes, vermelhonas, escuras e levemente adocicadas. A cor do vinho acompanha a menção à essa fruta e alguém com paladar mais experiente certamente identificaria mais uma ou outra referência: nota-se que a estrutura traz essas indicações e a ficha técnica do produtor menciona “especiarias”, algo que considero correto porém genérico. Desceu bem com o crepe e com o rizotto em questão e acompanharia bem queijos como um gruyére suave.

 

A Quinta do Casal Monteiro, S.A. é a antiga Casa Agrícola Herdeiros de Dom Luís de Margaride, S.A., fundada pelos herdeiros de Luís José Braamcamp de Mello Breyner Cardoso de Menezes, ou, simplesmente Dom Luís de Margaride, nascido em Santarém no ano de 1903. O sobrenome Mello Breyner é bem conhecido no automobilismo português graças aos irmãos Manuel e Fábio. Em 1928, Dom Luís assumiu a direção das atividades agrovinícolas nas propriedades familiares e deixou uma vasta obra e escritos; o resultado de sua paixão pode ser medido através de vários prêmios internacionais.

 

O vinho que aqui apresento não é dos mais fáceis de ser encontrado no Brasil: Motores Clássicos tentou várias vezes fazer contato com os endereços do importador e do distribuidor que aparecem no rótulo da garrafa; todas foram infrutíferas, daí a dificuldade de informar o preço e em quais supermercados ou armazéns este bom vinho português pode ser encontrado. Anúncio no site Mercado Livre oferece este Quinta do Casal Monteiro por R$ 69,00. Nos Estados Unidos, para onde vai boa parte de sua produção, ele é comercializado em torno de U$ 12. Não é um vinho barato para o consumo diário, mas vale cada gota.

 

Mais informações sobre a Quinta do Casal Monteiro em http://www.casalmonteiro.pt

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