CBA: Faus podem cobrar Pinteiro

Cleyton ainda se recusa a falar sobre contrato comprometedor

Novo presidente admite que assunto pode ser checado

Contratada é desconhecida no automobilismo

Cleyton Pinteiro, presidente da CBA, e Nailda Lima, proprietária da empresa NR Lima Racing (Facebook)

Notícia publicada inicialmente pelo site Speed on Line, e repercutida na edição de 14/2 pelo jornal Folha de S.Paulo, denunciou a existência de contrato de prestação de serviços entre a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) com a empresa Nailda Rodrigues Lima Produção e Promoção de Eventos Desportivos Ltda. – ME, administrada pela cunhada do atual presidente, Cleyton Pinteiro. Consultado a respeito, Pinteiro recusou-se a responder questões que lhe permitiriam esclarecer o assunto e, de acordo com a assessoria de imprensa da entidade considera essa acusação “notícia eleitoreira”.

 

Walder Bernardo (Velocidade Total)

O assunto, porém, pode estar longe de ser esquecido: basta que algum dos presidentes das federações estaduais que compõem a CBA (AL, BA CE, DF, ES, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PB, PE, PR, RN, RJ, RS, SC, SE, SP) peçam esclarecimentos sobre o caso em “assembleia que acontecerá em abril”, informação prestada pelo sucessor de Pinteiro e seu afilhado político Waldner Bernardo. Dadai, como Bernardo é mais conhecido, assume o cargo para mandato de quatro anos a partir de março e ainda aparece no site da CBA como presidente da FPEA, a federação pernambucana. Diante desta situação de fato, nada mais ético e valioso que ele mesmo propor a análise desse contrato com a empresa NR Lima Racing. Tal atitude seria demonstração contundente de que pretende fazer uma administração correta, honesta e transparente.

 

A razão de uma investigação sobre o assunto justifica-se pelo fato de a empresa ser propriedade da cunhada de Pinteiro (Nailda é irmã de sua esposa, Roza), não haver registros conhecidos de nenhuma atividade realizada pela empresa NL Racing e tampouco a assessoria de imprensa da CBA jamais ter divulgado algum comunicado sobre projetos ou trabalhos executados pela empresa especializada em “produção e promoção de eventos desportivos”, informação que consta na razão social do CNPJ número 13.386.821/0001-50, registro que continua ativo.

 

O mínimo que se espera desse caso, que a princípio envolve 56 pagamentos mensais e consecutivos de R$ 14 mil mensais, é que as federações que apoiaram a chapa de oposição à candidatura de Dadai (GO, PA, PR, RJ, RS e SP), junto com a Associação Brasileira dos Pilotos de Automobilismo, exijam o esclarecimento dessa transação dúbia. Se tais Faus se calarem estarão demonstrando que compactuam com negócios de natureza duvidosa e, consequentemente, endossam sua concordância com essa operação dúbia.

 

2 Comentários

  1. Caro Wagner Gonzalez. Parabéns pela matéria e pelo ativismo positivo no automobilismo. Eu gostaria de fazer um pequeno reparo. As Federações que perderam a eleição e que formavam o bloco de oposição, com o perdão da redundância, perderam a eleição. Elas não formam um grupo a parte, uma associação, uma confraria, elas continuam como Federações filiadas à CBA, não poderiam se organizar internamente para promover um motim. Formaram uma chapa de oposição e disputaram legitimamente a eleição e a perderam. A forma legítima de se colocar em desacordo com a situação, morreu ali.
    Em minha opinião, quem assume este papel de cobrar a chapa vencedora, que comandará a CBA nos próximos quatro anos, são os pilotos e a imprensa. A imprensa esportiva de automobilismo no Brasil é praticamente nula; o pouco que há, subjuga-se aos interesses políticos e comerciais. Conta-se nos dedos de uma só mão o número de jornalistas independentes e investigativos, infelizmente.
    Os pilotos, por sua vez, deveriam fazer valer seus direitos e exigir resultados, cobrar mesmo a CBA, não apenas serem cobrados. E isso deveria ser feito pela recém-criada ABPA – Associação Brasileira de Pilotos de Automobilismo, que estranhamente se calou diante de todos os escândalos e denúncias que recaíram sobre a atual gestão que se encerra, que foi apoiada pessoalmente por seu presidente, apesar de a maioria de seus associados terem se manifestado a favor da chapa de oposição. A ABPA foi conivente com estas denúncias levadas a público através da imprensa, pois sempre se calou diante delas, porém, prontamente se manifestou através de nota de repúdio, quando uma Federação – que apoiava a oposição na eleição – questionou a validade de seu voto no escrutínio, questionando o porque dela não obedecer o mesmo tempo de “quarentena” respeitado por novos filiados com direito a voto. Ficou claro ali que havia uma preferência, um lado.
    Portanto, a ABPA deve ser cobrada, não as Federações que perderam a eleição, pois a ABPA sempre propagandeou que seria uma contumaz fiscalizadora da CBA e que ficaria alerta, fosse qual fosse o eleito.
    Mas o que vimos é que o secretário da ABPA será o diretor da Comissão de Velocidade da CBA nos próximos quatro anos, o que deixa a impressão de que a independência entre as entidades ficará bem prejudicada.
    Acredito que a cobrança deve ser redirecionada.

    • Alan,

      Obrigado pela participação nesse processo. O reparo que você faz é passível de discussão, no mínimo de uma interpretação mais abrangente. Desde a implementação de alterações que equalizaram o poder de voto de cada federação a um valor unitário nota-se o descontentamento daquelas que foram prejudicadas; praticamente todas elas estavam incluídas naquelas que formaram a plataforma “Bandeira Verde”. Esse descontentamento é crescente, já não se restringe a ambientes fechados e ganha fôlego. A própria CBA foi criada em ambiente semelhante.

      Com relação a esperar que as Faus ligadas à situação assumam o papel de fiscalização, temo que isso não acontecerá; da mesma forma, seria surpreendente a ABPA – a Associação Brasileira dos Pilotos de Automobilismo -, assumi-lo. Ficarei feliz se o futuro mostrar que me equivoquei.

      Mais do que redirecionar cobranças, creio ser mais producente e consequente desenvolver um trabalho que recupere o automobilismo de base de forma a criar um ambiente sadio para quem o pratica, para quem pode investir nele e para todos que ainda são apaixonados por esse esporte.

      Que sua participação neste espaço não pare por aqui: profissionais com sua postura, como você mesmo definiu acima, contam-se nos dedos.

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