BEZERRÃO É PARADA DAS BOAS

(Foto Pedro Matins)

Restaurante familiar na BR 476 vale a parada

Horta garante ingredientes orgânicos

Comida boa e preço baixo

 

O que torna o ato de viajar uma das melhores coisas da vida são as surpresas que se apresentam a cada curva. O restaurante Bezerrão se enquadra perfeitamente nessa verdade de mochileiros e viajantes inveterados: situado num trecho do km 264 em que a Rodovia do Xisto (BR476) dobra à direita, sentido Lapa-São Mateus do Sul, o enorme galpão com fachada pintada de amarelo gema é uma parada para se comer bem e barato.  É ali que a família Kachorski recebe com comida de qualidade servida de maneira simples, direto do fogão a lenha, tudo com muito sabor e preço incrivelmente baixo: cerca de R$ 20,00 dá direito a comer à vontade.

O sabor e a qualidade explicam a largada para a segunda bateria (Foto Pedro Martins)

Críticos maturados pelo tempo e pelo jargão da profissão classificariam o buffet montado em torno de um fogão a lenha como “comfort food”; prefiro chamar o cardápio variado como comida de mãe: os legumes e hortaliças vem de uma horta plantada nos fundos da propriedade “tudo orgânico, vai lá ver…” e as chapas de ferro que cobrem as brasas mostram de dobradinha a bolinhos de arroz, bifes de tamanho decente, frango com gosto de frango e panelões de arroz e feijão, este com aroma inesquecível. O conjunto dessa obra vai fazer você passar por cima da falta de guardanapos de linho ou talheres pesados; na verdade seu pensamento será em fazer um pit stop e traçar um segundo prato.

 

Fogão à lenha garante muito mais do que charme (Foto Pedro Martins)

De jeitão igualmente simples, o proprietário Osni Kachrski Martins, “pronuncia-se Cacheroski, sou polaco por parte de pai”, toca o Bezerrão com a ajuda da esposa, do sogro, da cunhada e mais um ajudante de meio período. A cunhada Regina “que a gente chama de Preta”, é quem cuida da cozinha e merece os parabéns pela sua arte. Quem larga na pole-position na preparação diária do cardápio é o caldeirão de feijão “que demora mais para ficar no ponto. O arroz a gente faz uma meia hora antes do almoço e do jantar, todo dia”, explica o faz tudo do restaurante.

 

No intervalo entre almoço e janta ele se ocupa da manutenção da casa, que está recebendo uma ampliação com a construção, quase pronta, de um segundo salão, circular, algo que me fez lembrar da “La Grand Chaumière” um misto de churrascaria e hotel de parada obrigatória para quem vai ao circuito de Magny-Cours, em Nevers, na França. A casa francesa trabalha com carnes nobres do gado Limousin, criado na região e famoso pela rapidez de crescimento e pela carne saborosa.

 

Ubaldo Lolli venceu a prova que celebrou a inauguração da Rodovia do Xisto, em 1968 (Foto Blogpassado.com.br)

Memória puxa memória e aí fica fácil lembrar que muito antes de Kachrski assumir o Bezerrão “há uns sete, oito anos”, a BR 476 também garantiu presença na história do automobilismo. A inauguração da estrada, no dia 4 de fevereiro de 1968, foi marcada pela disputa do GP Rodovia do Xisto e vitória de Ubaldo César Lolli. A bordo da icônica Alfa Romeo GTA 1.6 (importada por Piero Gancia para celebrar a conquista do primeiro título de campeão brasileiro de automobilismo de 1966) Lolli percorreu na ida e na volta os 142 km entre Curitiba e São Mateus, registrando a média horária de 181,58 km/h.

Serviço:

Restaurante Churrascaria Bezerrão

BR 476, KM 264, Mato Preto, Lapa (PR)

Aberto de segunda a domingo.

 

 

6 Comentários

    • Maria,

      Obrigado por sua visita. A prosposta de Motores Clássicos é compartir informação para quem gosta de acelerar, beber e comer bem, como parece ser o seu caro. Volte sempre.

    • Prezada Solange,

      Sugiro que você entre em contato diretametne com o Bezerrão. Tenho certeza que, independente do horário, você será recebida com muito carinho e cortesia.

      WG

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